[Brasil] Mapeamento da escalada na cidade do Rio de Janeiro

A cidade do Rio de Janeiro possui uma geografia privilegiada que possibilita práticas de lazer e esportivas nas suas serras, morros e falésias. Essa característica possibilitou o desenvolvimento do montanhismo, particularmente da escalada em rocha, de forma ampla desde o século XIX. Hoje, a importância e o valor cultural e esportivo do montanhismo e da escalada para a Cidade são reconhecidos no Decreto municipal 31.906/ 2010 e no título de principal centro urbano de escalada do país.  

Mas quantas vias de escalada tem na cidade do Rio de Janeiro? Como estão distribuídas? Qual tipo de proteção das áreas onde estão localizadas? Como é a situação do acesso a essas áreas?

Para responder essas perguntas, o Acceso PanAm, com o apoio da Federação de Esportes de Montanha do Estado do Rio de Janeiro (Femerj), elaborou um inventário e mapeamento das vias de escalada presentes na Cidade até março de 2018. Esse projeto contribui para um retrato da escalada na Cidade, possibilitando o desenvolvimento de políticas públicas que fortaleçam essa atividade na área. Esses dados possibilitam também atuarmos com maior eficácia e direcionamento em questões relacionadas à identificação de áreas prioritárias para a proteção dos acessos, da experiência dos escaladores e do meio ambiente onde a escalada ocorre.

 

Baixe o PDF com o infográfico: Mapeamento Escalada Rio de Janeiro.

Breves resultados

  • Até março de 2018, foram identificadas 2.196 vias de escalada ou problemas de boulders em 123 áreas de escalada. Quase 45% das vias estão localizadas na zona sul da cidade (44,85%), seguida da zona oeste (37,07%), zona norte (17,94%) sendo o centro a região com menos vias de escalada (0,14%).
  • 1.912 vias (87,07%) estão localizadas em unidades de conservação, sendo que a maioria está em parques.
  • A gestão da maioria das áreas onde estão localizadas as áreas de escalada está sob o domínio público.
  • Os acessos às áreas de escalada estão primariamente em áreas públicas (66,30%)
  • A maior parte dos acessos está aberta, embora diversas áreas tenham restrições, como regras de acesso, horários ou segurança pública.

Como foi feita a coleta de dados:

As vias de escalada e boulders

Para o diagnóstico sobre as vias de escalada e áreas de boulders na Cidade, foram feitas interlocuções com autores de guias de escalada e escaladores locais, bem como um levantamento bibliográfico nos próprios guias de escalada impressos e online, listagens na internet. Foram consultados os seguintes guias impressos: 

  • Assaife, André Costa e Silva, Monique das Neves. Guia de escaladas do Grajau. Rio de Janeiro: edição dos autores, 2015.
  • Daflon, Flavio e Queiroz, Delson. Guia de escaladas da Urca. 6a edição. Rio de Janeiro: Companhia da Escalada, 2019
  • Daflon, Flavio e Queiroz, Delson. Guia da Floresta. Escaladas no maciço da Tijuca. 2a edição. Rio de Janeiro: Companhia da Escalada, 2012.
  • França, Cláudio e dos Anjos, Flavia. Guia de escaladas de Jacarepaguá. No prelo.
  • Halls, Matt. Croqui. Bosque escocês. 2013.  
  • Ilha, André. Guia de escaladas de Guaratiba. Rio de Janeiro, RJ. 2a edição. Rio de Janeiro: Companhia da Escalada, 2019.
  • Ilha, André e Bradford, Kika. Guia de escaladas da Zona Sul e ilhas costeiras do Rio de Janeiro. 2a edição. No prelo. 
  • Rio Boulder Fest. Croquis de boulders do Grajaú. 2016.

Com base na Participação Pública em Sistemas de Informação Geográfica (PPGIS) para mapear e analisar a visitação em áreas naturais, foram realizadas também interlocuções e coletas de dados atualizados com escaladores locais de áreas onde os guias estão no prelo (Jacarepaguá) ou estão desatualizados, bem como áreas onde não são cobertas por guias, como por exemplo o Complexo do Alemão. 

As unidades de conservação

Os dados georeferenciados foram obtidos no Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (acesso: 10 de novembro de 2017). Os dados encontram-se em Sistema de Coordenadas Geográficas, South American Datum 1969 (SAD1969). Complementariamente, esses dados foram correlacionados com os enviados pelo Mosaico Carioca de Áreas Protegidas que incluíam os limites de unidades de conservação no município do Rio de Janeiro.

O status das propriedades

Foi consultada a base da dados da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro referente aos próprios municipais, bem como dados geoespacializados disponibilizados no Portal Geo do Parque Nacional da Tijuca (acesso: 1 de dezembro de 2017).

No caso de parques não foram consideradas as áreas que ainda não foram desapropriadas e todas as áreas dessas unidades foram consideradas públicas. No caso de APAs, como incluem terras públicas e privadas, não foi possível identificar o status da terra na maioria das áreas. Por isso, optou-se por analisar a gestão da área em vez do status da propriedade em si.  

Situação de acesso 

Foram consultados: o website da FEMERJ, escaladores locais e regras de unidades de conservação.

Sobre o mapeamento 

Todos arquivos das áreas de unidades de conservação foram incorporados ao Google Earth, onde também foram identificadas as áreas de escalada na Cidade de acordo com a coleta de dados.

O resultado foi condensado no infográfico: Mapeamento Escalada Rio de Janeiro.

 

 

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